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Isso explica muita coisa. E a gente morre com a mordida Dele. Fazer as pazes! Que estupidez! Formava-se uma fina camada de gelo bem escorregadia. Ele cantava de tanto frio. Seus lamentos desesperados ecoaram pela mata durante muito tempo. Outra vez, o esquilo apareceu com uma enorme ferida na garganta, fruto de uma mordida que a marta havia lhe dado.
O esquilo havia escapado por milagre. Corria como louco. Imediatamente chegaram algumas gralhas para se deleitar com seu banquete. Ela lhe provocava dor de barriga. Gobo andava fraco pelo frio e por causa dos enjoos. Todos olhavam para ele com pena.
Todos ficaram atentos. Todos olharam para cima. Parecia que tinha acontecido alguma coisa especial. Falina, venha! Mas sem fazer barulho! O tempo passou. Agora chegavam mais perto, inquietas e assustadas.
Barulhentos, soaram o alarme. De repente, todos os cervos estremeceram ao mesmo tempo. Era como se um raio os tivesse atingido.
Estavam todos quietos parados e inspiravam o ar. Uma onda de odor invadiu o lugar, impregnada como nunca. As gralhas-azuis ainda chamavam, os gaios gritavam acima delas, mas agora tudo estava cheio de vida. De fato! Era a raposa. Agora o amigo coelho vinha pulando devagar, parava, continuava a pular devagar. Estava transtornado. Neste instante eles ouviram a voz Dele.
Este grito atordoava mais do que a tempestade e a tormenta juntas. Era assustador e deprimente. Ouviam-se o rumorejar distante e os estalidos da mata retalhada.
Ele estava vindo! Ele estava entrando na mata. Talvez eu esteja entre eles. O grande pavor tinha chegado. Bambi tentava raciocinar. Prendia-o como uma corrente. Olhou ao redor. O curto estampido soou afiado. Marena foi com eles com humildade. Bramia, rebentava, rugia e trovejava ao redor deles. Precisamos sair daqui e atravessar o descampado. Mas aqui dentro vamos andar devagar. O rugido tornou-se furioso. Bambi viu o primo do coelho dar uma cambalhota macia no meio da corrida e cair deitado com a barriga clara para cima.
Estrebuchou um pouco, depois aquietou-se. Bambi ficou estarrecido. Todos precisam fugir! Era como se a terra estivesse sendo partida em dois. Ele corria. Atravessou o descampado.
Um novo bosque o acolheu. Bambi corria. Impaciente, chutava tudo que encontrava pela frente. Era a mulher do coelho. Bambi olhou para ela e ficou abalado. As patas traseiras se arrastavam sem vida na neve, que derretia com o calor do sangue quente que gotejava tingindo-a de vermelho. Bambi novamente foi tomado pelo desespero e correu.
De um golpe Bambi parou. Bambi o abordou afobado. Venha comigo! Bambi se assustou. Quando escureceu, tudo silenciou. Mas Bambi continuou agitado. O primeiro conhecido que encontrou foi Ronno.
Ele mancava mais do que nunca. Acabei de passar por ela. Fica mordendo a neve e a terra. Bambi e Falina riram. Eles falaram de Gobo. O dia inteiro sem comer nada. De repente, viram tia Ena chegar e correram ao encontro dela. Ele a viu primeiro. Teria sido mais inteligente do que chorar. Fazer isso era muito bom. Mas Bambi nem ligou. Empolgava-se ao ver a madeira clara surgindo, cedendo a seus golpes. Ali na redondeza, diversas aveleiras exibiam marcas do atrito.
Bambi e o esquilo levaram um baita susto. Toque, toque, toque, toque, toque. O esquilo subiu correndo por um galho e brigou com ele. O esquilo desceu correndo. E agora moro aqui sozinho. Mas eu gosto. Bambi se virou para ir embora. Eu queria contar outra coisa.
Muito elegante! E sua galhada, longa e clara! Agora tenho de seguir adiante. Mesmo assim, ele passou bastante tempo sozinho. Naqueles tempos, Bambi pensou nele muitas vezes e pela primeira vez se deu conta de como Gobo era bondoso e querido. Raramente via Falina. Havia conseguido polir sua primeira coroa e estava orgulhoso por isso. Os outros cervos coroados o perseguiam toda vez que o viam. Passava o tempo se esgueirando por caminhos escondidos, muito triste.
Ronno e Karus eram os piores de todos. Agora, por azar, o esquilo fez com que ele se lembrasse daquele tempo. Quem era? A mata ao redor estava toda iluminada pelos claros raios de sol.
De repente, ouviu-se um bater de asas estabanadas bem perto de suas patas. Agora estava mais tranquilo. A floresta cantava ao redor. Seu casco pontiagudo cortava a grama. Os golpes tinham um som abafado. Ali avistou uma mancha vermelha no meio da folhagem e as pontas cintilantes de uma coroa.
Bambi resolveu ir para cima. Com a galhada abaixada, acelerou. Bambi ficou surpreso a ponto de perder o controle. Estava constrangido, tinha vontade de simplesmente fugir correndo dali. Aquilo o deixou ainda mais atordoado. Bambi olhou para ele, sacudido por um entusiasmo curioso e um misterioso terror. Ele tremia de alegria. O velho continuou observando-o satisfeito. Em seguida virou-se e, no instante seguinte, desapareceu. Bambi ainda ficou por um tempo parado ali, sem se mover.
Passava o tempo perambulando por todos os caminhos. Um dia encontrou Falina. Foi um encontro inesperado. Eles ainda se lembravam de tudo e ambos ficaram muito felizes por isso. Falina fazia curvas e curvas, desviava e dava meia-volta. Bambi permaneceu calado.
Falina varreu o campo em disparada, fez meia-volta e desapareceu na mata. Estava muito ocupado com Falina. Karus saltou para o lado para se esquivar de uma nova investida de Bambi.
De repente, ele se sentiu muito fraco. Percebeu que era uma luta de vida ou morte. Bambi, por sua vez, parou de correr de repente. Karus nem se deu conta disso e continuou fugindo apavorado, em disparada entre os arbustos. Bambi parou porque escutou o berro agudo de Falina. Quando chegou no campo viu Falina correndo para dentro da mata, perseguida por Ronno. Quer alguma coisa comigo? Nem se nota. Cai fora! O choque entre os dois provocou um estrondo. A ponta da galhada de Ronno se quebrou num estalo agudo.
No instante seguinte, outra investida feriu seu ombro. Ronno teve muita dificuldade para se levantar. Sangrava e cambaleava sobre as patas. Ela logo saltou ao encontro dele. Entusiasmado, Bambi contou sobre ele para Falina. Estou com saudade. Sem querer, Falina deu um grito. Bambi se conteve. Afinal, somos parentes. Estava ali parada, dura feito uma pedra, olhando aterrorizada para o alce, que seguia seu caminho despreocupado.
Falina berrava e berrava. O alce agora estava na pequena clareira, tratando de matar sua fome com ervas e grama. Ao tentar acalmar Falina, ele mesmo se acalmara e superara o medo. Fique calma! E foi. Isso lhe parecia a melhor coisa a fazer. Bambi achou o modo como o alce olhou para ele muito arrogante. Isso mesmo! Afinal sou como ele… sou como ele! Nem de longe. Nenhuma folha se mexia, nenhum capim. Bambi dormia. O cheiro amargo e forte do zimbro aquecido pelo sol e o suave aroma penetrante do broto de louro inebriaram seus sentidos durante o sono e devolveram-lhe as energias.
Depois de um tempo, Bambi despertou num susto. Ela estava junto ao espinheiro branco, mordiscando umas folhinhas. Achou que Falina tivesse ficado ali, mas ela havia se afastado. Enquanto Bambi tentava ouvir de onde vinha o chamado, ele se perguntava por quanto tempo dormira e por quantas vezes Falina gritara. Falina chamou novamente.
De novo! E num instante, Bambi ficou alerta. Era Falina! Mas no meio de um salto ele teve de parar e se jogar para o lado. O velho cervo estava parado no meio do caminho impedindo a passagem.
Afinal, qualquer hora dessas eles acabariam se encontrando. Por isso saudou o velho rapidamente e tratou de seguir correndo. Como o velho podia pedir uma coisa dessas? Nunca mais.
Novo chamado. Preciso ir! Nossa, como o velho sabia se mover pelos caminhos! Nenhuma folha se mexia. Ele deslizava pela mata se esgueirando entre os arbustos mais densos. Os chamados continuavam. O velho mudou de rumo para contornar o lugar de onde vinha o som, o que deixou Bambi furioso. Finalmente chegaram cada vez mais perto. Mas ficou parado como que cravado por um prego. Ao lado dele, o velho mantinha-se sereno. Bambi conseguiu se conter.
Apesar de estar apavorado, Bambi achou que o velho olhava para ele com um leve ar de deboche. Nenhuma folha se mexeu, nenhum graveto estalou quando o velho entrou ali. Galhos secos e gravetos se quebravam contra seu peito. O que vou dizer a ele? Estava sozinho.
As plantas se partiam debaixo dos seus largos saltos, como se fossem cortadas com a foice. Depois de muito vagar, encontrou Falina. Quando a mata diante deles ficou mais clara, eles pararam para olhar ao redor. Eles observavam. Parece uma criancinha. Ela estava muito curiosa.
Venha… E seguiram em frente. Bambi e Falina ficaram ali parados, perplexos com o que estavam vendo. Bambi se surpreendeu ao ouvir seu nome. Ficou ali parada sem se mover ou falar. Gobo caiu na risada. Eles deixavam. Bambi e Falina trocavam olhares surpresos toda vez que isso acontecia.
Tiveram de andar muito, de um lado a outro, sempre procurando. Bambi e Falina se entreolharam sem dizer nada. Em seguida chegaram a uma pequena clareira, um abrigo protegido por arbustos. Gobo e Falina se olharam nos olhos. Caminharam por mais uma hora. Era hora de se deitar e de descansar. Corria sem deter o olhar em ponto algum e estremecia cada vez que uma doninha escapava correndo por entre suas patas.
Bambi seguiu andando. Ela tremia tanto que seu dorso e seus ombros eram percorridos por verdadeiras ondas. Toda hora ele queria interromper Gobo para perguntar alguma coisa, mas era logo reprimido pelos demais.
Gobo fez uma pausa. Os outros mal respiravam. Chamou os cachorros, que ficaram quietos na mesma hora. Eu berrava. Mas Ele fez carinho em mim, me segurando junto ao peito. E me carregou no colo. Deixa o Gobo contar! Ele teve de se calar. Bem quente e Ele me trazia feno para comer e castanhas, batatas, cenouras e tudo o mais que eu quisesse. Por que eu ia morrer de medo? Bom demais! O velho ficou ali parado olhando para Gobo com olhar severo e profundo.
O velho fitou Gobo longamente, com um olhar penetrante e triste. Estava contente que em toda a floresta o assunto fosse ele, fazia gosto da fama de Gobo e queria que todos reconhecessem que ele era o mais capaz e o melhor.
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Loved each and every part of this book.
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